Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Jaguar Perfumado

aqui... asas para voar, raízes para regressar e motivos para ficar! - Dalai Lama -

Jaguar Perfumado

aqui... asas para voar, raízes para regressar e motivos para ficar! - Dalai Lama -

Sex | 28.02.20

Vida fácil?! O que acha Isabelinha?

Frankie

ab5f96ac2ee29262b91350e0fffefc3a.jpg
photo credit @https://diascaes.blogspot.com/search?q=feliz+natal

Acham que a vida dos outros é fácil? Pois bem que o diga a Isabelinha que agora nem os ordenados consegue pagar depois do arresto dos seus bens e contas bancárias.

Ah pois é, a vida não é fácil… até a Isabelinha já percebeu!! As coisas mudam e mudam muito rapidamente, o que ontem era, hoje já não é bem assim e amanhã, será totalmente diferente.

Temos a tendência para pensar que a vida das outras pessoas é sempre mais fácil mas, tudo não passa de um tremendo equívoco. Todos temos e passamos por adversidades, dificuldades e, nestes momentos, a tendência é para acharmos que se tivéssemos outro papel, encarnássemos outra personagem, com outro enquadramento, toda a nossa vida seria mais serena.

Todos nós enfrentamos diversas adversidades ao longo da vida, vivemos num ambiente exigente, que requer muito de nós e nem sempre é fácil encarar, seguir, encontrar a saída mais direta.

Vitimizar-nos pode parecer uma saída, mas ilusória porque não nos leva a lado algum, consiste apenas em mais uma forma de ganhar tempo. A saída terá sempre de passar pela decisão de “encarar o touro” de frente, sem receios. O pior desfecho é ficar encalhado. Nada pode ser mais inútil do que não reagir, do que não ter a capacidade para procurar uma saída.

A vida não é fácil, e isto é verdade para todos, por mais oportunidades que tenhamos no mesmo ponto de partida. A diferença está, sobretudo, na capacidade que cada um tem em enfrentar e avançar perante estas dificuldades.

Eventualmente colocamos muitas expetativas no desfecho, esperamos sempre muito de tudo, talvez porque façamos demasiado esforço, ou porque nos empenhamos excessivamente, mas nem sempre corre bem e, se formos muito rígidos, a desmotivação pode levar a melhor. É preciso ter espaço de manobra, jogo de cintura, capacidade para ajustar. Os planos não passam disso mesmo, são planos, que podem ou não, concretizar-se. É bom não perder o pé. Ter um plano A, um plano B e eventualmente um plano C, pode ajudar, mas seja ele A, B ou C, são sempre, única e simplesmente, planos, cenários de possibilidades que podem ter viabilidade ou não. As variáveis são inúmeras e incrivelmente mutáveis no espaço e no tempo, impossível controlar todas. A “planologia” facilita mas não sendo uma ciência exata, deve guardar um bom espaço de manobra para ajuste e adaptação. Pensar por defeito que ter um plano é ter controlo, que significa conhecer o desfecho, é por si só o maior erro de base, próprio de principiante ou de um super-herói. Só cabecinhas jovens e imaturas ou arrogantes e prepotentes podem ter esse nível de aspiração. A idade pode ser, em muitos casos, um perfeito aliado.

Com a idade, mas também com a experiência de vida vamos ganhando novas verdades, o jogo das probabilidades ganha uma dinâmica até aí entorpecida. Aprendemos a jogar, aprendemos a manipular, ficamos mais elásticos, encaramos a flexibilidade como um verdadeiro dom, um aliado fundamental. É a capacidade que desenvolvemos para dançar, para saborear o vento e aproveitar cada onda de calor que inesperadamente se atravesse, gerir imprevistos.

- Isabelinha sei que, naturalmente, se encaixa na categoria dos super-heróis, mas ainda assim, mesmo aí no alto do seu pedestal, aproveite e tome nota… de mim para si. 

 

 

Seg | 24.02.20

Correr atrás do sol

Frankie

36e4b927fd281925d53f613a7c152920.jpg

Fico sem ar, as borboletas contorcem-se no estômago, tudo se rebela cá dentro.

Que sensação esta que dá vontade de rir ou de chorar ou simplesmente de correr sem para trás olhar. Correr sempre até que o cansaço impeça de continuar.

É esta sensação de impotência, a incerteza que consiste na certeza de ter de seguir um caminho que não sabemos se é o certo se é o errado. Se nos vai fazer felizes ou se nos vai afundar.  Por ser tão diferente, tão fora do que temos hoje gera um conflito imenso sem respostas certas ou erradas. É impossível saber qual a decisão certa, é impossível conhecer o desfecho… como fazer?
Tanto tempo a pensar nisto, tantos anos a imaginar como seria enriquecedor poder viver num país diferente, uma cultura diferente, uma língua nova, todo um novo estilo de vida e agora, finalmente… é uma pressão nas costas a forçar, a insistir para seguir, avançar, arriscar a viver o sonho.

Sou confrontada com os meus sonhos, espremida pelas minhas convicções, atirada para a frente, empurrada a seguir. Estou consciente de que a força e o carácter nunca serão estimulados pela via do conforto, que só com uma atitude positiva e perseverante se pode singrar.

Deixar tudo para trás, começar uma vida quase do início, longe… perceber como fazer sem interferir com a estabilidade neste cenário totalmente instável! Correr atrás de aventura, novas experiências, seguir o instinto, mergulhar numa nova realidade. Que medo!

Consigo sentir o frio percorrer, sentir um arrepio que atravessa, que corta e dilacera. Correr atrás do sol. Seguir esta voz que só abre caminho, uma voz de desafio que abre o horizonte sem descortinar o destino.
Acho que nunca senti tanto medo, nunca, nem uma só vez. A cabeça está a mil, o coração esse, nem sei, é uma guerra total do corpo com a alma, uma decisão que está só na minha mão. OMG!!

Eu sempre lhe disse que iria para onde me levasse, mas não achei que chegasse a hora, não pensei que pudesse ser tão complicado de gerir, emocionalmente. Eu sempre quis ir, sempre soube que quando chegasse o momento eu iria, sem hesitar… pois bem, este é o momento de lhe provar, de provar a mim mesma do que sou capaz e aceitar que só há uma via. Eu vou.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

 

 

Qui | 20.02.20

Profundidade light

Frankie

viagem do elefante.jpg

Começo a notar que as pessoas, em geral, não gostam de assuntos profundos. Procuram leveza nos temas. Isto explica o sucesso de autores como, por exemplo, é o caso da Margarida Rebelo Pinto em detrimento de tantos outros, tão mais ricos mas também tão mais exigentes.

A profundidade caiu em desuso, não está na moda. Profundidade implica peso, tempo, dedicação e claro, as pessoas não tem disponibilidade para isso. Querem antes questões leves, superficiais, fúteis e banais, que não requerem esforço, não implicam envolvimento. Leituras leves são uma forma de desligar e descontrair, desfocam da realidade, transportam para outra, revitalizam, regeneram a beleza, e não é isso que todos procuramos?

A força da dinâmica diária, pessoal, familiar ou profissional já são por si só um peso, de uma profundidade imensa, faz falta desfocar, faz falta espairecer, esvaziar a cabeça com ligeirezas, temas que não ocupem espaço, não acrescentem peso. Leituras fáceis que se possam ler na diagonal e mesmo assim chegar ao fim com a mensagem toda, que não impliquem trabalho de casa, que não representem bagagem em excesso.    

Tenho notado que agora é assim no que diz respeito a tudo. Só que pode ocorrer que na busca obstinada de ligeireza corramos o risco de nos perdermos, percamos a capacidade de parar para refletir, para nos dedicarmos ao pormenor, àquele detalhe que acrescenta valor e confere essência e identidade.         

Não sei se Gabriel García Márquez teria sucesso hoje com o seu livro “100 Anos de Solidão”, um livro lindo mas de tal forma profundo que nem eu consegui terminar, mesmo já bem perto do fim. Será que Tolkien teria hoje a mesma projeção, sem os filmes para aligeirar? Alguém lê, ainda, estas obras? É possível que alguém consiga dedicar o tempo necessário para ler estes livros? Suspeito que muito poucos, daí a produção e o sucesso dos filmes.
O tempo ganhou outra dimensão, já não é a mesma de há uns anos atrás.

Hoje tudo urge, tudo surge, tudo corre, não se perde tempo com coisas profundas, isso requer muito tempo, muito devoção. Implica investimento, implica empenho. Implica dar sem garantia de que se recebe algo em troca.

Mas, afinal, o tempo é vazio, vale pelo fim que lhe damos. As perguntas que se impõem: – para onde vamos e quem seremos quando lá chegarmos? Ganhamos ou perdermos com o tempo despendido em superficialidades? Há que ser criterioso, procurar o equilíbrio.

Perder peso pode ser arriscado, tem de ser ponderado. Perder peso, sim porque é saudável, mas com critério, nem tudo o que é light é o mais indicado. 

 

 

Ter | 18.02.20

Não há mulheres feias

Frankie

Oprah-Winfrey-covers-British-Vogue-August-2018-by-Oprah Winfrey covers British Vogue August 2018 by Mert & Marcus

Há mulheres descuidadas, mulheres desleixadas, mulheres enfunadas, agora mulheres feias, isso não há!

A menos que ser feia seja uma opção, que é naturalmente válida e respeitável como qualquer outra, não há qualquer motivo para ser feia. Muitas são as opções disponíveis no mercado, são múltiplas as soluções e recursos que podem resolver e dissimular qualquer imperfeiçãozinha mais desconfortável. O que é certo é que toda a gente tem o direito de se sentir bem na sua própria pele, por mais imperfeita que aparentemente possa ser. Não há mulheres perfeitas, não há mulheres imperfeitas. Há mulheres reais.

Uma personalidade carismática, o olhar seguro e cheio de brilho, uma atitude positiva. Cabelos briosos, unhas limpinhas, não é preciso muito mais para revelar a beleza de qualquer pessoa, homem ou mulher.
Por isso defendo, não há mulheres feias, a não ser que seja por convicção. Há mulheres que se desleixam e se descuidam, há mulheres que se deixam afetar e abalar pelas circunstâncias e decidem esquecer-se de si, mulheres que se abandonam e se perdem. Mulheres que se entregam à pressão, ao stress e ao medo de ser quem na realidade são, mulheres convencidas de que devem entregar o seu eu para poderem ser validadas na sua própria pele. É verdade, não somos todas iguais mas ainda bem que assim é, ou seria um verdadeiro tédio. Essa é a verdadeira beleza, a beleza da diferença que todos temos de validar e promover.

Falo de mulheres porque me tocam especialmente, conheço as adversidades, os desafios, as exigências que têm que encarar. Os riscos e perigos são muitos e seguem à espreita no próximo virar de esquina. Facilmente se pode degenerar, facilmente se pode sucumbir. Não há margem de erro, não há margem de manobra. Tolerância zero. Mulheres não podem errar, não podem sequer tropeçar, erguer seria bem mais difícil.

Ser mulher é transportar em si uma grandeza, a magnificência de ser e sentir, uma panóplia de sentidos sem querer, a riqueza de amar sem perceber, de desejar mais para os outros do que para si mesma, carregar uma força que transcende e supera, conseguir suster a intuição como um fardo só seu.

Ser mulher é muito mais que só isso… não está limitado nem se define pelo que se vê por fora, é algo que vai muito além! É sobretudo a definição de tudo o que não se vê. Quais Kim Kardashians que assentam toda a sua existência na sua própria aparência e na imagem que propagam.  Pessoas que procuram validação, exclusivamente, pelo seu aspeto exterior e descuram todo o sentido de valor no que podem ser e contribuir. Que perda de tempo… não sabem que ser mulher é muito mais que só isso!

 

 

Sex | 14.02.20

A mais bela carta de amor

Frankie

carta Jackie Kennedy.jpg

E lembro-me de quando o conheci, era tão evidente que estava destinado a mim. Ambos soubemos, imediatamente. E com os anos a passarem, as coisas complicaram-se, fomos confrontados com mais desafios.

Pedi-lhe que ficasse. Tentei lembrar do que tínhamos no início.

Ele era carismático, magnético, elétrico e todos o sabiam. Quando ele caminhava as cabeças de todas as mulheres o seguiam, todos se levantavam para falar com ele. Ele era como um híbrido, uma mistura de um homem incapaz de se conter. Sempre tive a noção de que ele ficou dividido entre a opção de ser uma boa pessoa e perder todas as oportunidades que a vida podia oferecer a um homem tão grandioso como ele.

E nesse sentido eu podia compreendê-lo e eu amava-o. Eu amava-o, amava-o, amava-o.

E ainda o amo. Eu amo-o.

<Jacqueline Kennedy>

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Hoje, especialmente, para hoje guardei para partilhar a mais bela carta de amor que já tive oportunidade de ler. Não só pelo carisma das pessoas a quem está associada, mas sobretudo, pelo poder da mensagem contida. Por ser tão genuína, porque tem o poder de nos transportar para o momento, em que foi redigida, permite-nos canalizar esse sentimento tão forte, único e admirável que pode ser o de Amor entre um casal.

Feliz dia de S.Valentim 

#amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor, #amor,

#amor, #amor 

 

 

 

Qua | 12.02.20

quando foi que me perdi...

Frankie

frida.jpg
Frida kahlo by gladys chavarría @http://lifestyle.efavet.com.tr/image.php?id=66576
Sei que me perdi e sei que ainda não me encontrei. Sei que descarrilei, que sigo por um caminho distinto daquele que deveria ser o meu, mas como fazer, como retornar, como me encontrar? 

Talvez não tenha havido um momento, talvez tenha sido todo um processo que foi crescendo e formou esta bola de neve que segue rolando e crescendo. Quando somos jovens elaboramos, construímos sem qualquer ordenamento todo o tipo de castelos no ar, temos a capacidade de ver o mundo de uma forma refinada. Sem responsabilidades maiores, tudo é mais leve, mais efémero, tudo é possível. Construímos o nosso próprio mundo, imaginamo-nos com uma vida bem diferente, concebemos um cenário desconcertante altamente colorido onde fazemos apenas o que gostamos e as decisões são tomadas em função do que mais desejamos.

Porém, e há sempre um porém, a sociedade, a nossa educação, a pouco e pouco, vão exercendo a sua influência, interferindo muito subtilmente, esculpindo e moldando a nossa personalidade, culminando na tão temida castração.

Quando, por fim, percebemos estamos num sítio totalmente desconhecido, perdidos, sem um GPS que nos oriente. Nesse sítio, os perigos são muitos. Eventualmente, o maior perigo, nós próprios em convivência forçada com um eu desconhecido. Desconhecido, mas criado por nós em nós, que nos conhece melhor do que ninguém e recusa largar, abdicar de tudo o que conseguiu e considera seu, só seu, por direito. Começa o conflito, a disputa, uma troca sórdida de argumentos, a tentativa de identificar quem deve prevalecer, quem fica e quem vai… geralmente, um jogo onde não há vencedores, somente lutadores. Ninguém ganha, ninguém perde.

O tempo passa e quando vemos, temos no currículo todo um percurso feito a muito custo e, contudo, em vão, um percurso que não deveria ser o nosso e, no entanto, é tão real, é tudo o que temos.
É tudo o que é meu, e que eu não sei largar.

O momento da rendição chega ao fim do dia, é o momento em que fecho os olhos e penso que amanhã será um novo dia.


Seg | 10.02.20

Comer, Orar, 'Tagarelar'

Frankie

tagarelar_credit @effortlyss #americanstyle”.jpg















photo credit @effortlyss #americanstyle


#Comer Orar Tagarelar

Conhecem o filme? Há um outro parecido, mas esse é com a Julia Roberts, ao passo que este é o filme da vida de qualquer mulher em cuja realidade não entra o Javier Bardem. Na verdade, este é parecido, já que também consiste em identificar a natureza do nosso dia-a-dia mas este, este é o nosso filme. Um pouco menos glamoroso é certo, mas com os pés no chão. 😊

Diria que com uma vida tão absorvente, só nos restam pequenos momentos de deleite, como aqueles em que aproveitamos para, COMER algo que possa ser simultaneamente nutritivo e saboroso, ORAR através de pequenos momentos de reflexão que ajudem a re-energizar e, finalmente, TAGARELAR com alguém que esteja na mesma onda do que nós e consiga acompanhar e partilhar desabafos sobre algum tema mundano, por vezes fácil e banal, por vezes mais complexo e sensível.

Sem dúvida, o outro filme é mais bonito, não só pelos personagens e cenários exóticos envolvidos, mas pelo próprio desfecho em si: terminar em Bali com um novo grande amor. É o desfecho que todos, homens ou mulheres, desejamos, mas há que ser pragmático e situarmo-nos o mais realisticamente possível, não é todos os dias. Muito honestamente, acontecer uma vez na vida de cada pessoa, já seria altamente improvável. Contentemo-nos, pois, pelo tagarelar, já que esse é mais garantido, seguro, fluído e pode, ainda, conferir também imenso gozo e menos constrangimento. É que falar de temas do coração pode ser muito intenso e controverso, pelo que deixamos para outros blogs.

Ter uns momentos para tagarelar levianamente com alguém, é conseguir descontrair, abstrair, até de desligar ou sair de órbita ainda que por breves instantes. É estar em contacto com alguém que nos escuta, compreende e tem capacidade para partilhar outras perspetivas, pontos de vista que muitas vezes podem desbloquear estados de espírito mais negros, não tão efémeros assim.
Tagarelar livremente, sem preconceitos, sem preocupação, sem receio de juízos de valor, pode ser realmente libertador. Termos a permissão de nos exprimirmos, de nos revelarmos, manifestarmos a nossa opinião sem receio de sermos mal interpretados ou incompreendidos, somente em prol da liberdade de expressão e, única e exclusivamente, pelo prazer que isso pode assumir.

Por todos estes motivos, arrisco em afirmar que tagarelar é realmente o ponto alto deste filme, ainda mais porque não engorda e, eventualmente, produz até o efeito inverso pelo efeito de entrega e libertação que gera. Não menosprezemos, pois, uma ciência que desconhecemos e passemos a dar crédito ao movimento tagarelar, como merece.
Suspeito que seremos todos bem mais felizes! 

 

 

Qui | 06.02.20

Ouvir o silêncio

Frankie

Wind by Thomas Mertens via prayerflags.jpgphoto by Thomas Mertens via prayerflags

Este será um dos meus maiores desejos de sempre: ouvir o silêncio, saber como é entrar num estado de quietude que me permita abstrair e desligar de todo o ruído, aquele que me rodeia e me contorna mas, sobretudo, abstrair-me do ruído em mim. O ruído que insiste em permanecer quase como para lembrar que, é esse ruído que justifica a nossa condição humana, que é por esse ruído que nos movemos e no limite, é por ele que existimos.

Tempo e silêncio são para mim um luxo supremo, difícil de encontrar, impossível de preservar. Julgo que nunca o ouvi, caso contrário saberia e poderia identificar.  Na realidade a forma de apaziguar esse ruído é, muitas vezes, gerar mais ruído que se sobreponha e anule o primeiro. Música, conversa, são as formas mais imediatas capazes de anular esse ruído interior, com habilidade para gerar novo ruído e desvia a nossa atenção daquele que persevera, insiste e não desiste.

Talvez seja motivado por este desejo de ouvir o silêncio, que proliferam agora programas de mindfullness e meditação, trabalhar o estar presente aqui e agora, apaziguar a tendência promíscua da mente para projetar num tempo diferente daquele que é o momento real. Eu não pratico nenhum mas, talvez devesse…

É meu desejo, um dia, ouvir o silêncio. No dia em que eu conseguir ouvir o silêncio, independentemente de onde esteja ou com quem esteja, certamente vou estar em paz, tranquila, serena. Nesse dia vou poder perceber onde estou e por onde devo ir, serei livre, serei eu, única e exclusivamente. Sem ansiedade, sem medo, sem pressão.   

Imagino um cenário idílico, de contornos totalmente naturais sem qualquer intervenção humana, um cenário somente palmilhado por mim nesse momento único, um local alcançável apenas por ténues intempéries sem qualquer importância digna de registo. Poderei, eventualmente,  ser capaz de ouvir o som do vento a atravessar os meus cabelos, o sonido das folhas soltas das árvores num movimento subtil de dança e levitação.

Nesse dia o Universo será meu e, eu serei parte dele numa simbiose perfeita.

 

 

 

Seg | 03.02.20

O melhor de mim

Frankie

girafas.jpg

O Melhor de Mim!

Os meus filhos salvaram-me a vida. Salvam-me, a cada dia, de levar uma vida inteira sem entender o efeito avassalador do que é amar incondicionalmente.

Por muito forte que seja o amor entre um casal nada é comparável ao amor dos pais pelos seus filhos. Atenção à ordem que deve respeitar o sentido indicado: amor dos pais pelos filhos, muito diferente do inverso, o sentido em que coloca o amor dos filhos direcionado aos pais. Qualquer consideração de uma possível troca iria enviesar integralmente o contexto, pois tal como um amigo já salientava muito antes de eu sonhar vir a ser mãe, os nossos filhos nunca irão gostar de nós com a força que nós, os pais, gostamos deles!! É realmente único e incomparável. É um sentimento que toma uma força surreal. É um laço que nos prende e vai muito além do sangue, com a força de nos unir bem além de qualquer imaginário. É algo que cresce diariamente tomando proporções incontornáveis e, pela força que toma, nos faz acreditar que somos capazes de mover montanhas. Verdadeiramente avassalador, pode inclusivamente assumir um poder assustador.

Eles dependem de mim mas eu também dependo deles e, garanto, a minha dependência como mãe é talvez, significativamente maior do que a deles em relação a mim. Não imagino a minha vida sem eles e qualquer experiência vivida faz sempre mais sentido se estivermos juntos a partilhar o momento.

Talvez tenha nascido para ser mãe destes dois que me tiram do sério quase todos os dias. Ser mãe de rapazes não é fácil… (sem querer menosprezar as mães de meninas) acredito que há uma missão especialmente desafiante na tarefa de criar os Homens de amanhã.

O que é facto, é que adoro e não trocava por nada, são eles que me dão a força e motivação nos momentos mais difíceis, nas situações em que tudo parece estar perdido. São eles que me obrigam a acreditar, a ter fé de que tudo vai correr bem e não passa de mais um momento de desafio. É minha obrigação como mãe ensiná-los a acreditar que o caminho será tanto mais fácil quanto mais otimistas forem em relação à vida. É minha obrigação transmitir este principio pelo exemplo, o que nem sempre é a coisa mais simples do mundo.

Qual Dolores embevecida, os meus filhos são os melhores do mundo com todas as virtudes e todos os defeitos que cada um tem, compensando todas as dores de cabeça, preocupações, noites mal dormidas, corridas ao médico, até as festas de aniversário que surgem em catadupa a arruinar a hipótese de um fim-de-semana, ainda que fugaz, fora da cidade. Estou consciente que lá chegará o tempo em que quebrado este ritmo frenético vou desejar saber por onde andam e com quem andam, vou querer companhia para tomar um mísero café de 5 minutos e eles, vítimas das suas agendas sociais a romper pelas costuras, me irão ignorar sem qualquer escrúpulo.

O certo é que, especificamente para mim, sem eles tudo faria muito menos sentido, toda a minha vida seria muito efémera e banal. Como diz a música, de que vale ter uma estória alucinante para contar se não tivermos com quem a viver e partilhar.

A eles eu prometo todos os dias, dar, partilhar, entregar o melhor de mim, tudo o que estiver ao meu alcance e, desta forma, talvez um dia eu consiga “pagar-lhes” por me salvarem a vida a cada dia.

Obrigada filhos, por me terem escolhido como vossa mãe!