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Jaguar Perfumado

aqui... asas para voar, raízes para regressar e motivos para ficar! - Dalai Lama -

Jaguar Perfumado

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Qua | 26.08.20

Filhos...

Frankie

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Um é lindo, mas o outro, esse, ainda mais lindo é... qual é qual? Bem, só posso dizer que o mais lindo é definitivamente o que estiver mais perto de mim naquele momento. A verdade, é que não sei nem tenho como escolher. São ambos meus e loucamente desejados. As idades e personalidades tão distintas entre si e, por esse motivo, um nunca poderia substituir o outro e, muito menos, ser melhor do que o outro. Não são comparáveis.

 

Filhos são, tão simplesmente, a razão. É por eles e para eles que me movo e respiro. São eles que me fazem, diariamente, encontrar a motivação para acordar, para seguir e lutar. São eles que me dão coragem força e determinação para, em cada dia, querer superar-me, ser melhor pessoa, singrar em tudo o que faço! É por eles que vou sempre continuar, porque são eles a razão de toda a minha existência. Sei que soa nitidamente a clichê maternal, mas é assim que se passa realmente. Há momentos em que se não fosse por eles, poderia desistir, delegar na sorte e deixar fluir. Com filhos pequenos tal abordagem é impensável, totalmente descabida. Já não é só a nossa vida em jogo mas a deles também e uma responsabilidade assim não se pode ignorar! É, efetivamente, por eles e para eles que me motivo e decido seguir cada dia, mas a isto não se pode chamar de altruísmo, muito provavelmente é mais correto chamar de egoísmo.

Egoísmo sim, porque é a eles que vou buscar toda a energia de que me alimento. Comida, bebida oferecem nutrientes básicos e fundamentais mas, afeto, carinho, amor incondicional é muito, muito mais do que isso apenas. É, na realidade, o combustível que, que para além de alimentar, inflama e ateia a energia que me faz correr, saltar, ultrapassar cada desafio, cada adversidade que se atravesse no meu caminho. Enfim, é a energia que nos permite superar qualquer dificuldade, sempre com um sorriso triunfante nos lábios e, a cada situação, nos faz olhar para trás e pensar que foi “canja”, que voltaria a fazer e refazer tudo uma e outra vez, sempre que necessário, porque nada é mais forte do que nós quando nos movemos com um propósito tão grandioso e magnificente como este.

Amor incondicional é isto, é a magia de poder amar sem esperar nada em troca. É poder prosseguir com uma sensação irremediável de glória infinita perante o Universo, simplesmente por deter uma aptidão intrínseca de poder e querer amar tanto… dar, receber sem reservas.

 

 

Qui | 20.08.20

Muito mais vida, lá fora...

Frankie

Carregava em si o peso tremendo das vidas que acumulava, talvez um peso demasiado colossal para quem se apresentava com uma estrutura tão frágil. Os seus 52Kg talvez não fossem suficientes para suportar tanto peso. Era, por isso, difícil de sustentar e, talvez mesmo, demasiado injusto.
Ninguém deveria ter esse desígnio.

mergulho_mar.jpgimg. by wattpad.com

Contudo, não era algo que pudesse escolher, era antes algo que lhe tinha sido imposto e ao qual, sabia, dificilmente poderia fugir. O remédio seria encontrar uma forma de tornar este peso menor para si, para a sua estrutura tão singela. Aprender a viver com isso pacificamente era realmente algo que tentava já há muito tempo, mas sem grande sucesso. Ignorar, como o tinha feito por tantos anos, já não era alternativa. A viabilidade de um projeto assim, depressa se revela estéril, ignorar ou negar, era algo que já tinha experimentado e hoje realizava que não era opção.  

Tinha passado todos os anos da sua vida a tentar enquadrar-se dentro de uma caixa que não tinha sido moldada para si. Uma caixa demasiado pequena e desenquadrada, onde tinha de conviver com regras, balizas, fronteiras, preconceitos que a cercavam e encurralavam e impediam de expandir horizontes, muito menos de os seguir. Até aqui, a sua maior preocupação passava claramente por seguir aquelas regras, agradar a todos os que a rodeiam, evitar insurgências de qualquer natureza de quem quer que fosse. Passar incólume, manter uma aparência de pacificidade coerente pois era importante que não destoasse dos demais, dessa forma, ninguém sentiria ensejo de questionar, pôr em causa o que quer que fosse.

Tudo isto teria, seguramente, resultado bem não fosse o incrível sentido de ansiedade que se manifestava em crescendo cada dia que passa. Uma necessidade de se revelar, de se expressar que desinibia e despoletava a vontade ardente de se expor e perseguir a sua verdadeira missão, desencadear a sua derradeira vocação. Passava por desencarnar uma alma que se mantinha enclausurada durante anos e que às tantas, já não se lembrava bem quem era pelo tempo que tinha permanecido oculta, menosprezada e relegada para uma dimensão ostracizada.

Desejava, precisava sair, encontrar-se, olhar com novos olhos, ver o que não tinha visto. Apreender uma nova realidade, que viria ressignificar e conferir todo um novo sentido à sua vida. Ver com os olhos, ver com o coração, ver com todos os seus sentidos que latejavam ansiosamente, carentes que estavam de se libertar das talas de bloqueio que apontavam um trajeto tão tendencioso e decadente.

A caixa estava prestes a romper, acabaria por ser dilacerada sem misericórdia e dar lugar a um espaço incrível de expansão, crescimento em liberdade. Não poderia persistir. Seria finalmente desmantelada, antes que pudesse explodir e o efeito fosse ainda mais chocante e avassalador do que o que já seria agora, quando o mundo, finalmente, enxergasse esta nova feição, tão mais leve, livre de cargas ou outros fardos.

Estava prestes a emergir daquela água gelada que, naquele ponto, já tinha enregelado as suas entranhas. Estava furiosa por pressentir o caminho árduo que a aguardava.

Aguentara a violência do mar, mas não estava certa de que aguentasse a violência de um abraço da sua própria vida.

 

Seg | 17.08.20

um brilho no olhar

Frankie

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img. by 500px.com

Tudo nos seus olhos me dizia que era para seguir. O brilho, a intensidade de um olhar assim que nos deixa indefesos, com a nítida certeza de que o mundo termina ali… de que,  não há nada mais, a partir dali.

Aquele olhar é em si, um túnel repleto de subtilezas que pela sua intensidade desmesurada atraem e seduzem a entrar como se de uma porta se ostentasse, sem que exiba qualquer outra alternativa! Naquele momento é óbvio que a vida possível terá de passar por ali, por aquele túnel iluminado que é, tão somente, o sonho de poder entrar e encarnar numa nova dimensão extrassensorial e quase espiritual ou mesmo, inumana. Um olhar assim arrebata, um olhar assim transcende, sobrepõe-se a qualquer outro desígnio que insista ou persista. Naquele momento não há escolha possível que não seja entregar e depositar todas as esperanças, todos os desejos mais ambiciosos e mergulhar na fé de que só pode correr bem! Entrego-me, despojada, vulnerável sem quaisquer defesas, disposta a abraçar o desconhecido.

Uma nova vida está prestes a emergir. Aceito a rutura que, aqui, é inevitável.

Esses olhos que me perdem são os mesmos que me deixam ver para além do que é visível. Entro neles e deslizo veloz, entro num mundo que já não é só meu, é nosso. Vejo claramente muito para além do que outros podem ver, sou capaz de contemplar que, ali, há muito mais, realizo a sua profundidade e mergulho num mundo de sonhos, desejos, anseios, aspirações. Vejo que é muito mais grandioso do que poderia imaginar, é igualmente humilde, honesto, verdadeiro e tão mais simples e inocente do que poderia adivinhar.

Esses olhos que me enfraquecem são os mesmos olhos que agora me oferecem poder, que me conferem a segurança que não tinha, não conhecia, nem sabia existir.

Fico grata, realizo-me ali mesmo como uma nova pessoa bem mais confiante, bem mais segura, acima de tudo percebo que sou feliz!
Apaixono-me pelo que vejo, confio no que sinto, decido que ali posso ficar e confiar. A minha vida passa por contemplar aquele olhar sem medo, passa por permanecer sem apreensão de qualquer natureza.
Aquele olhar é o meu, juntos somos um!

 

 

Ter | 11.08.20

Capítulos encriptados

Frankie

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img. by @go.hotmart.com

... quando mergulhou, sentiu que a água gélida do oceano irrompeu em si como setas certeiras a atravessarem o seu corpo tão frágil e permeável!

O choque tremendo fê-la voltar a si, fê-la renascer e voltar a um sítio longínquo que já tinha esquecido e que hoje não sabia se queria voltar e reviver!

A água morna põe-nos dormentes, entorpece-nos. A água gélida tem o efeito oposto, estremece todos os sentidos, revitaliza, ativa todos os nossos reflexos, devolve-nos à vida!

O choque perdurou, segundos que pareceram longas horas. O tempo necessário para entrar num espectro quase desconhecido, um cenário praticamente irreconhecível pelo desgaste do tempo, ao ponto de quase se ter desvanecido.

O regresso, mesmo que se assumisse insuportável, era inevitável, uma condição obrigatória para poder fechar as portas entreabertas. Avançar sem encerrar estas portas não era viável, por isso não tinha escolha, voltar era necessário. Conhecia o risco, tinha bem presente o potencial da dor que poderia ter de suportar mas era isto ou, ter de aceitar a vida medíocre que levava. Uma vida insustentável, sem perspetiva, sem glória, sem futuro!

Voltar nunca é fácil quando se deixam capítulos para trás, sobretudo, capítulos que ficaram mal fechados e por isso permanecem, perseguem com uma sombra esbatida quase impercetível e muitas vezes ignorada. No entanto, estão lá, residem no inconsciente e marcam posição, criam cicatrizes profundas que gravam histórias de momentos, situações tantas vezes indecifráveis, que seguem encriptadas e só acessíveis mediante a ativação da chave correta. Determinam o percurso, apontam direções, ocultam sentidos, inebriam mesmo os mais perspicazes. Encerrar esses capítulos seria fundamental.

Hoje seria o dia, o choque térmico que sentira, tinha despoletado essa viagem. Não havia volta atrás. A viagem iria ocorrer e, a única esperança era que representasse um percurso de poucos sobressaltos, uma estrada limpa, sem grandes obstáculos que fosse possível palmilhar. A esperança fazia-a acreditar, contudo, o desconhecido era total, o desfecho impenetrável. Nada poderia revelar um processo fácil.

Porém, havia todo um futuro pela frente que não mais poderia seguir enviesado ou ficar comprometido. O futuro prometia ser tão diferente, tão mais simples ou risonho.
O risco da viagem tinha de ser assumido. Na realidade, o risco maior seria não a fazer.

Qua | 05.08.20

Meu querido mês de agosto

Frankie

 

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Img. By https://pin.it/QKolwre

Agosto é um mês mágico, único sem igual... “por ti levo o ano todo a sonhar!”

Em agosto quase tudo é possível, é um mês em que nos damos ao luxo de viver, de sentir, de fazer o que queremos de uma forma livre sem restrições de horários, sem restrições de quaisquer outros compromissos assumidos. Em agosto somos livres de fazermos o que bem nos dá na telha.

Temos tempo para a família, os amigos, os almoços e jantares prolongados. Temos tempo para a sesta, para ir à praia, passear, visitar, conhecer sítios novos. Organizam-se festas, reencontram-se velhos amigos, retomamos hobbies perdidos. Agosto é, definitivamente, o mês do lazer, do ócio, do não fazer nada, ou de fazer tudo o que se gosta!

Não é por acaso que há muitos bebés em maio, são na verdade os bebés concebidos em agosto do ano anterior. Não deve ser por acaso, que eu própria faço anos em maio, que sou desses bebés de agosto.

Agosto é o meu mês, é em agosto que tipicamente consigo parar, para refletir fazer introspecção, avaliar o meu percurso. Consigo aproveitar os dias longos e ensolarados, a brisa morna que embala, acalma e entorpece, mas que a mim, convida a pensar e perceber o meu rumo e determinar se é por aí que pretendo seguir. É durante estes dias mais luminosos que ocorrem durante a pausa anual que volto a mim, quase como se voltasse a casa, e consigo situar-me. Como se me rodeasse da luz mais brilhante, mais energizante, para conseguir olhar para o ponto de partida com mais nitidez e conseguir enxergar onde estou exatamente e no caminho que quero fazer. Consigo identificar aquele que mais sentido faz percorrer. É bom, é relaxante, é geralmente um momento feliz, de lucidez estonteante, um momento em que se traçam planos, identificam objetivos e se alinham sentidos.

Ao largarmos o peso das obrigações, arranjamos espaço para a intuição, para a inspiração, para a criatividade. Somos livres de pensar, temos tempo para refletir, e sobretudo de ponderar, decidir o que fazer e como fazer.

As resoluções de início de ano, no meu caso, são assumidas durante este mês. Para mim é em setembro com o regresso à atividade normal que começa realmente o ano e, finalmente, acordo para a vida real! Levo comigo todo o calor, a tranquilidade e sobriedade necessárias para avançar, enfrentar a vida de frente e recomeçar.