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Jaguar Perfumado

aqui... asas para voar, raízes para regressar e motivos para ficar! - Dalai Lama -

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Qua | 09.09.20

O regresso à 'nova' escola

Frankie

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img. by tumblr.com

Ontem foi o 1º dia de escola dos meus filhos, após este imenso período de confinamento seguido de outro de ‘quase’ confinamento, cheio de constrangimentos e impedimentos que tivemos de encarar.


Fechamo-nos em casa no dia 11de março e ficamos assim, enclausurados até 18 de maio. Nesta data, saímos e visitamos os avós a medo, inseguros de que estaríamos a proceder bem, de forma adequada e de acordo com as medidas aconselhadas de segurança e de distanciamento. Foi um risco, muito controlado mas, ainda assim, foi um risco que decidimos assumir. Não dava mais para permanecermos isolados e deixar os meus pais igualmente afastados. Fomos e correu tão bem que o meu filho de 3 anos, chorou baba e ranho quando se apercebeu que teria de voltar a casa. Temia voltar ao terrível confinamento e ficar fechado por outro período indeterminado. Assim, e da mesma forma, sempre que saia de casa, vibrava tal como um animal que sai da jaula e, chorava sempre, no momento em que percebia que era altura de regressar a casa. Foi assim que aconteceu por um largo período, até irmos de férias. O trauma de ficar em casa foi relegado, então, para trás das costas. Voltamos a sair, a conviver e a frequentar esplanadas de restaurantes, sempre com os cuidados máximos, de máscara bem assente e desinfetante impregnado nas mãos.

Sabemos que corremos riscos mas esforçamo-nos sempre para que sejam minimizados com contactos e convivência apenas com pessoas das nossas relações e cujos cuidados conhecemos e sabemos ser idênticos aos nossos. Decidimos confiar e esperar o melhor.

Perante este cenário disruptivo que assenta esta nova normalidade a que temos de nos adaptar, decidimos que seria mais saudável tentarmos encontrar este equilíbrio, do que voltarmos ao isolamento absoluto e novamente traumatizar as nossas crianças que, naturalmente, entenderam que os estávamos a encarcerar.

A escola é mais um passo em frente em prol desta nova realidade. Tenho os meus filhos num colégio privado que até agora tem assumido um papel pró-ativo e algo inovador na abordagem e processos que adotou na receção dos miúdos no novo ano escolar. Por enquanto, sabemos que tem resultado bem e nós, assim como as crianças, sentimo-nos relativamente seguros. Eles voltaram a uma escola ligeiramente diferente da que deixaram em março deste ano, e nós voltamos a ter capacidade de trabalho idêntica à que tínhamos antes do confinamento.

Saiu-nos das costas o peso de largar o mais pequeno largado pela casa sem ocupação ou qualquer interesse que o mantivesse ocupado por mais do que 20 minutos e não, não estou a exagerar. Este ficou literalmente abandonado, debaixo de um teto partilhado, enquanto tentávamos trabalhar e corresponder às solicitações das empresas que, nesse período, mais do que duplicaram na tentativa de fazer face às novas circunstâncias tão inusitadas. Este menino, foi realmente o que mais sentiu e sofreu com o confinamento e inevitável afastamento da escola. O comportamento dele refletiu claramente esse transtorno.

Ontem ocorreu o tão desejado regresso e, com isto, eu confesso que senti o peso do mundo nas costas. Nunca antes, nestes anos todos em que os deixei na escola a cada início do ano letivo, me senti tão ansiosa, nervosa ao ponto de o ressentir fisicamente. Ontem ao deixá-los no portão da escola, ao apontar-lhes a direção senti-me completamente impotente e desprotegida perante algo tão maior do que nós. A sensação de saber que não poderia protegê-los mais, acompanhá-los no percurso em direção a um novo ano, uma nova escola foi realmente impactante e avassaladora. Pela primeira vez, entreguei-os e saí com os olhos lacrimejantes… confiei.

Voltaram felizes e cansados.

Impossível saber se vai correr bem ou mal, impossível adiantar como tudo isto irá evoluir, especialmente com o progressivo regresso dos miúdos às escolas. Neste momento, só sei que não me resta mais nada, a não ser manter a confiança e a fé de que vai correr tudo bem.

Resta-me, apenas: “Escolher ser otimista (…)” e desejar um bom regresso, em segurança, a todos os que estão ou estarão em breve a regressar à sua “nova” escola.

 

Qui | 03.09.20

Melhor banda sonora

...do filme corriqueiro que seria, sobre a minha vida!

Frankie

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A melhor banda sonora é aquela que interpela as cenas de um filme com um som que exacerba cada cena, cada passagem e cada momento de uma película.


A banda sonora, num filme, é peça fundamental, porque incute poder e relevância a imagens que de outra forma poderiam passar despercebidas, ou pelo menos, desprovidas do significado ou o impacto que devem assumir.

O valor de um filme, está enfim, no conjunto de vários elementos que ao serem conjugados perfeitamente, dão origem a um resultado avassalador, verdadeiramente marcante e perturbador pelo impacto que pode causar e pela influência que pode representar.

No meu entender, num filme, a banda sonora é crítica e tem de ser arrojada, perfeitamente ajustada e integrada. Qualquer filme por mais despojado que seja tem de incluir uma banda sonora.

Não há nenhum realizador no mundo que, como expetador atento da minha vida, pudesse potencialmente considerá-la boa fonte de inspiração para um filme. O argumento seria, definitivamente, aborrecido e banal.

Contudo, e perfeitamente consciente que sou disso, por mais corriqueira e pouco glamorosa que a minha vida possa, aos olhos dos outros ser, se desse um filme, seria sem qualquer dúvida, digna de incluir a sua própria banda sonora.

Seria totalmente impossível, alguém, perceber e embrenhar-se na minha história sem ter uma noção destas músicas que compõe a minha banda sonora. Todas elas contam uma história. Cada uma delas identifica um momento, contempla uma imagem, um sentimento, uma emoção.  

É uma banda sonora concreta que me acompanha e me define. São músicas, sons, letras que me resumem como pessoa. Desde sempre me amparam nos momentos mais tristes, me alegram nos momentos mais ligeiros e me embalam quando só preciso descansar. É, na música, que encontro a companhia certa para cada estado de alma.

A música, como uma forma de arte, interfere com todas as minhas emoções e influencia o meu estado de espírito. Por vezes, chega mesmo a modelar-me. Traz-me novas formas e acrescenta-me como pessoa. Despoleta em mim sentidos ocultos ou ignorados, solta-me ou, então, dá-me a mão e leva-me por novos caminhos.

A música tem a capacidade de me acolher e de me expor, proteger e libertar, a música tem o dom de nos fazer dançar.
Por isso, mesmo corriqueiro, se a minha vida desse um filme, este teria definitivamente uma banda sonora magnífica!