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Jaguar Perfumado

aqui... asas para voar, raízes para regressar e motivos para ficar! - Dalai Lama -

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Qua | 25.03.20

Primavera que não chega

Somos povo da rua, da esplanada populada, do abraço e do beijinho, somos povo de calor.

Frankie

rena.jpgimg. by https://bloglovin.com

A Primavera que não chega!
Atípicamente, este ano recusamos abrir a porta àqueles dias de sol perfumados pelo brotar das primeiras flores do ano! Este ano ninguém fala da Primavera, ninguém notou que se instalou, ninguém quer saber do calor tímido que se começa a fazer sentir e que em outros tempos nos fazia saltar do sofá em direção a um jardim, à praia, ou pelo menos até uma esplanada de café bem posicionada a poente! Ninguém quer saber, porque ninguém sabe ou é capaz de prever quando é que o Inverno terá um fim.

Tal e qual numa guerra, tal e qual a célebre música dos Delfins “Aquele Inverno” que nos arrepia a espinha e retira a compostura, ficamos desconcertados!
Ficamos em casa com receio de não resistirmos à sedução do bom tempo que lá fora espreita e convida. Guardamos os afetos para verdadeiros dias de sol, dias de namoro nunca antes, em qualquer circunstância, foram tão desejados e tão cobiçados.

O mal é que isto ainda agora começou e já parece não ter fim, tal como uma espiral invertida sem fim.
Nós portugueses, povo de afetos, de calor e descontração não podíamos ser mais castigados com a dureza infindável do inverno! Somos povo da rua, da esplanada populada, do abraço e do beijinho, somos povo de calor.

esplanada LX Factory.jpg
img. by http://www.maiorviagem.net/sunset-em-lisboa-lx-factory/

Confrontados com o Inverno que atravessamos, não sabemos como sobreviver, não temos estofo! Precisamos de calor e de contacto social, somos um povo carente de afeto, ansiamos por dias de beijinhos e muitos abracinhos. Não sabemos conceber a nossa vida sem afabilidade, sem amabilidade humana. Ficamos sem jeito ao abordar um conhecido, sem podermos dirigir-nos imediatamente com um beijo ou, pelo menos, um mais sóbrio aperto de mão. Não percebemos esses relacionamentos indiferentes ao toque, ao contacto, ao afeto, esses relacionamentos sóbrios, frios, tão próprios dos povos nórdicos. 


Tento imaginar, sobre o que fará o nosso caríssimo Presidente da República, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa nas suas correntes visitas aos eventos, feiras, aglomerados populacionais espalhados pelo país, sem poder distribuir beijocas e apertos de mão indiscriminadamente como se não houvesse amanhã! Penso, como serão as campanhas eleitorais a partir deste momento, sem poder contar com o encanto tão peculiar destas manifestações de rua, que passa pela distribuição descontrolada de beijos e abraços por entre toda a população carente e que, em boa verdade, exige esse contacto físico. Estamos, realmente, perante um novo paradigma!

marcelo.jpgimg. by https://radioaltominho.pt/

A Primavera está lá fora, todos a vemos bem, mas ao longe, porque agora não estamos autorizados a senti-la ou a vivê-la. Fica, por enquanto, no nosso imaginário, permanece nas nossas recordações de outros tempos tão mais leves e despreocupadas, como um sonho que guardamos e escondemos religiosamente. Como um sonho que protegemos a todo o custo, pelo risco iminente de se poder desvanecer e se perder.

“(...)Perguntei ao céu, será sempre assim?
Poderá o inverno nunca ter um fim?
Não sei responder
Só talvez lembrar
O que alguém que voltou a veio contar recordar
Recordar…”

Compositores: Miguel Ângelo / Fernando Cunha 
by Delfins

 

 

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